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Quando o turnover provocativo deve ser considerado?
Nem toda demissão é um fracasso. Algumas são correção de rota. Acompanhei de perto um caso que ilustra bem essa provocação
Nem toda demissão é um fracasso. Algumas são correção de rota. Acompanhei de perto um caso que ilustra bem essa provocação: uma empresa contratou um diretor comercial com currículo sólido e histórico de entregas. O que ela não sabia é que ele carregava um conflito pessoal que já o consumia há tempos. Com um ano de casa, a empresa descobriu e decidiu apostar na recuperação.
Foram dez meses de tentativas. Planos de ação, conversas difíceis, suporte. Mesmo assim, os números não reagiam. E o estrago foi além das metas: a rotatividade do time de vendas subiu 25%. Um líder em crise arrastou consigo uma equipe inteira.
Aos onze meses, a empresa tomou a decisão de buscar um novo diretor no mercado. Tarde? Talvez. Mas necessário. E onde estava o erro? Na contratação. Mas a pergunta que realmente importa é outra: sua empresa estaria disposta a pagar esse preço? Vendas caindo mês a mês, time comercial desmoronando, cultura se corroendo, tudo para tentar recuperar alguém que já não sustenta a entrega necessária.
Existe um momento em que insistir deixa de ser comprometimento e vira negligência com quem fica. Há sinais que indicam quando o ciclo precisa ser encerrado: performance abaixo do esperado por tempo prolongado, padrão de excelência da empresa em risco, clima da equipe contaminado por conflitos recorrentes, resistência sistemática a feedbacks, desconexão visível com os valores do negócio. E talvez o mais revelador: quando o profissional não compra mais a ideia da empresa, e o time sente isso antes mesmo de qualquer conversa formal.
O turnover provocativo não é crueldade. É responsabilidade. É reconhecer que manter alguém pode custar mais para a cultura e para a equipe do que a coragem de tomar uma decisão difícil.
Liderar também é saber quando encerrar um ciclo com clareza, antes que ele encerre a saúde do seu time.
Iraci Bohrer é autora do livro O jogo invisível das decisões, mentora, empresária, palestrante internacional e criadora do método exclusivo Leitura do Invisível
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